Formação de tríades
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Capítulo 02 de 24

Formação de tríades

Empilhando duas terças sobre uma fundamental nascem as tríades — o esqueleto de todo acorde. São cinco estruturas básicas, cada uma com um papel próprio na harmonia.

Clique em qualquer cifra para ouvir o acorde.

Empilhando terças

Uma tríade é um acorde de três notas construído por terças sobrepostas: fundamental, 3ª e 5ª. A fundamental dá o nome; a 3ª define se o clima é maior ou menor; a 5ª sustenta a estrutura. Como cada terça pode ser maior ou menor, as combinações geram quatro tríades por sobreposição — e uma quinta estrutura, a suspensa, troca a 3ª pela 4ª.

As fórmulas em semitons a partir da fundamental são: maior (0-4-7), menor (0-3-7), diminuta (0-3-6), aumentada (0-4-8) e sus4 (0-5-7). Vale memorizar pelo par de terças: a maior é 3ªM + 3ªm; a menor é 3ªm + 3ªM; a diminuta é 3ªm + 3ªm; a aumentada é 3ªM + 3ªM.

No braço do violão, aprenda cada tríade como um desenho móvel: a mesma forma deslocada de casa muda só a fundamental, nunca a estrutura. Quem enxerga onde está a 3ª dentro do desenho consegue transformar qualquer forma maior em menor (descendo essa nota meio tom) sem consultar dicionário de acordes.

As cinco estruturas sobre C

Mesma fundamental, cinco climas: maior (estável e claro), menor (estável e sombrio), diminuto (instável, aqui tocado na forma com 7ª diminuta, a mais comum na prática), aumentado (suspenso no ar) e sus4 (aberto, sem definir maior ou menor — no player ele soa com a 7ª menor, como aparece nos contextos de dominante).

Maior × menor lado a lado

Alterne os pares e cante a 3ª de cada acorde. Reconhecer de ouvido essa diferença é o primeiro treino sério de percepção harmônica.

O papel de cada tríade na harmonia

As tríades maiores e menores são os acordes de repouso do sistema tonal: praticamente toda música termina em uma delas. A diminuta, com sua 5ª diminuta (um trítono contra a fundamental), é sempre instável — aparece como acorde de passagem ou como parente próximo do dominante. A aumentada, simétrica (só terças maiores), não pertence naturalmente à escala maior; ela surge das escalas menores harmônica e melódica e em dominantes alterados.

A tríade sus4 merece atenção à parte: ao trocar a 3ª pela 4ª, ela suspende a definição maior/menor. No repertório de bossa e jazz ela quase sempre aparece sobre o V grau (G7sus4 antes de G7, por exemplo), suavizando o trítono e criando um degrau extra antes da resolução.

Diminuto como passagem

I
#I°
IIm7

O diminuto sobre C# liga cromaticamente o I ao II — movimento típico de samba-canção e bossa nova.

Sus4 preparando o dominante

V7sus4
V7
I

A 4ª (C) do G7sus4 desce para a 3ª (B) do G7 antes de tudo resolver em C. Duas tensões em câmera lenta.

Como praticar

Rotinas de estudo no braço, no espírito das seções “Como praticar” do caderno de harmonia. O ideal é levar cada uma pelos doze tons, sem pressa.

  1. 1

    Toque as cinco estruturas sobre a mesma fundamental em quantas posições achar, com a tônica na 3ª, 4ª, 5ª e 6ª cordas.

  2. 2

    Pegue uma tríade maior e transforme-a em menor movendo só a 3ª meio tom abaixo; depois faça o caminho de volta. Repita mirando a 5ª (para diminuta e aumentada).

  3. 3

    Toque a progressão de tríades do campo de C subindo o braço em posição aberta, do I ao I uma oitava acima.

    I
    IIm
    IIIm
    IV
    V
    VIm
    VII°

Fonte: Baseado na apostila «Harmonia» (HMP) de Pollaco, © do autor. Texto, exemplos e rotinas de prática reescritos para este caderno. Ver todas as fontes →