Capítulo 13 de 24
Ciclo de dominantes (V7 de V7)
Todo V7 pode ser preparado pelo seu próprio dominante — e, encadeando, percorre-se o ciclo dos doze dominantes descendo em quintas, que ainda se infla com II-V e subV7.
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V7 de V7: preparar o dominante
Se qualquer grau pode receber um dominante secundário, o próprio V7 do tom não é exceção: ele pode ser precedido pelo seu dominante, o V7/V. Em Dó maior, o V7 é G7; o dominante de G é D7. A sequência D7 → G7 → Cmaj7 dá ao dominante final um impulso a mais, porque agora existe uma cadência preparando a cadência.
Na análise, o D7 é cifrado V7/V (lido "quinto do quinto") ou, na notação do caderno, V7 de V7. Repare que o D7 traz o Fá sustenido, nota de fora do campo, e é esse cromatismo que anuncia a chegada do G7. O gesto é onipresente em choro, samba e ragtime.
V7/V preparando o V7
D7 é o dominante de G7; o Fá# de fora do tom empurra o ouvido para o V. Duas cadências emendadas.
O ciclo dos dominantes
Se cada dominante pode preceder o próximo, nada impede encadear vários: D7 é preparado por A7, que é preparado por E7, e assim por diante. Cada acorde é um X7 cuja fundamental está uma quinta acima da do seguinte — e a corrente percorre o ciclo das quintas. Levada ao extremo, ela passa pelos doze dominantes antes de voltar à tônica, com o baixo caindo de quinta em quinta.
Ao tocar cadeias assim, a orelha aceita cada dominante como destino momentâneo do anterior, mesmo longe da tônica original. É o recurso que faz uma ponte "girar" por tons distantes com direção clara. Uma linha melódica cromática costuma se formar nas notas de ponta (as b13 de cada dominante), amarrando a corrente.
Cadeia de dominantes até a tônica
Cada X7 resolve no próximo, descendo em quintas: Mi, Lá, Ré, Sol, Dó. Todos dominantes, um só destino final.
Inflar o ciclo com II-V e subV7
O ciclo aceita os mesmos temperos de qualquer dominante. Primeiro, cada V7 pode ganhar o seu IIm7 na frente: em vez de D7 → G7, toca-se Am7 → D7 → G7, transformando cada elo numa célula II-V. É a cadência II-V estendida, e ela dobra o número de acordes mantendo a mesma direção.
Segundo, qualquer V7 do ciclo pode ser trocado pelo seu subV7 (o dominante a um trítono), o que troca o baixo em quintas por um baixo cromático descendente. Misturando dominantes originais, II-V e subV7, o mesmo trecho ganha inúmeras roupagens sem perder o rumo para casa.
Elo inflado com II-V
Am7 → D7 é o II-V de Sol; ele prepara o G7, que resolve em C. Cada dominante do ciclo pode virar uma célula II-V.
Ciclo com baixo cromático (subV7)
O Ab7 substitui o D7 (mesmo trítono) e faz o baixo descer Lá → Láb → Sol — o ciclo agora desliza por meios-tons.
Como praticar
Rotinas de estudo no braço, no espírito das seções “Como praticar” do caderno de harmonia. O ideal é levar cada uma pelos doze tons, sem pressa.
- 1
Toque D7 → G7 → C e depois estenda para E7 → A7 → D7 → G7 → C, cada dominante preparando o próximo, com o baixo descendo em quintas.
V7V7V7V7I7M - 2
Percorra o ciclo dos dominantes a partir de C, todos como X7 descendo em quintas (C7-F7-Bb7-Eb7…), sentindo cada um pedir o seguinte.
- 3
Infle o ciclo de duas formas: coloque o IIm7 na frente de cada V7 (Am7-D7-G7-C) e depois troque um dominante pelo seu subV7 para criar baixo cromático.
IIm7/VV7/VV7I7M
Fonte: Baseado na apostila «Harmonia» (HMP) de Pollaco, © do autor. Texto, exemplos e rotinas de prática reescritos para este caderno. Ver todas as fontes →