Capítulo 15 de 24
Acordes diminutos
O dim7 é perfeitamente simétrico — quatro nomes para as mesmas notas — e aparece em três empregos: ascendente, de passagem descendente e auxiliar.
Clique em qualquer cifra para ouvir o acorde.
Simetria: quatro acordes, as mesmas notas
O acorde diminuto com sétima empilha apenas terças menores: fundamental, b3, b5 e bb7. Como quatro terças menores somam exatamente uma oitava, o acorde divide a oitava em partes iguais — e qualquer uma de suas notas pode ser considerada a fundamental. Cdim7, Ebdim7, Gbdim7 e Adim7 contêm as mesmas quatro notas, mudando apenas a grafia.
Consequência prática: existem só três acordes diminutos distintos no sistema temperado, cada um com quatro nomes possíveis. Na análise, escolha o nome que revela a função — em geral, aquele cujo baixo se move por grau conjunto (meio tom acima ou abaixo) para o acorde seguinte.
Diminuto ascendente: um V7(b9) disfarçado
O emprego mais comum é o diminuto ascendente, cifrado #I°, #II°, #IV°, #V° etc.: um dim7 cuja fundamental sobe meio tom até o próximo grau diatônico. Ele funciona porque é, nota por nota, um dominante com nona menor sem a fundamental. C#dim7 (Dó#, Mi, Sol, Sib) contém as mesmas notas de A7(b9) sem o Lá — e por isso resolve em Dm7 exatamente como o A7(b9) resolveria.
Na prática, o diminuto ascendente substitui o dominante secundário do grau seguinte, com a vantagem de criar um baixo cromático ascendente. A subida I → #I° → II → #II° → III é um dos caminhos mais tocados de todo o repertório de bossa e choro.
Subida cromática com diminutos ascendentes
Cada dim7 empurra o baixo meio tom acima, até o grau diatônico seguinte. Compare o C#dim7 com A7(b9): mesmas notas, sem o Lá.
Diminuto ascendente vs. dominante secundário
Troque o A7(b9) deste exemplo pelo C#dim7 do exemplo anterior: a função é a mesma, muda o baixo.
Diminuto de passagem descendente
O segundo emprego liga dois graus diatônicos descendo: o caso típico é o bIII°, que conecta o IIIm7 ao IIm7 (Em7 → Ebdim7 → Dm7, em Dó maior). Aqui o diminuto não tem a força de um dominante — é um acorde de passagem que preenche o meio tom entre os dois graus e mantém o movimento do baixo fluido.
Repare que, pela simetria, Ebdim7 tem as mesmas notas de C#dim7; o que muda é a direção do baixo. Por isso a grafia importa: bIII° descreve a descida, #II° descreveria a subida.
bIII° descendo do III para o II
O diminuto preenche o meio tom entre Mi e Ré, e a frase desemboca num II–V–I.
Diminuto auxiliar
No terceiro emprego, o baixo não se move: o diminuto é construído sobre a própria nota do acorde de chegada e volta para ele (I° → I7M, por exemplo Cdim7 → Cmaj7). O efeito é de suspensão momentânea — as vozes superiores se afastam por meio tom e retornam, enquanto o baixo permanece.
É um recurso de ornamentação, frequente em finais e introduções. Na análise, reconheça-o pela fundamental compartilhada com o acorde vizinho: se o dim7 e o acorde de resolução têm o mesmo baixo, o diminuto é auxiliar.
Diminuto auxiliar sobre a tônica
O baixo fica em Dó; as vozes internas se afastam e voltam. Sensação de respiro, não de cadência.
Como praticar
Rotinas de estudo no braço, no espírito das seções “Como praticar” do caderno de harmonia. O ideal é levar cada uma pelos doze tons, sem pressa.
- 1
Toque a subida cromática com diminutos ascendentes, cada dim7 empurrando o baixo meio tom até o grau seguinte.
I7M#I°IIm7#II°IIIm7 - 2
Troque um V7(b9) secundário pelo diminuto ascendente correspondente e confirme que a função é a mesma (C#dim7 = A7b9 sem o Lá).
I7MV7(b9)/IIIIm7 - 3
Toque o diminuto auxiliar sobre a tônica: o baixo fica parado enquanto as vozes se afastam e voltam.
I7MI°I7M
Fonte: Baseado na apostila «Harmonia» (HMP) de Pollaco, © do autor. Texto, exemplos e rotinas de prática reescritos para este caderno. Ver todas as fontes →