Subdominante menor
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Capítulo 14 de 24

Subdominante menor

A sexta menor emprestada do tom homônimo gera uma família inteira de acordes — IVm, IIm7(b5), bVI7M, bVII7, bII7M — com a mesma cor nostálgica.

Clique em qualquer cifra para ouvir o acorde.

A cor da b6

Em Dó maior, a sexta do tom é Lá. No homônimo menor (Dó menor), ela é Láb. Quando um trecho em tom maior usa acordes que contêm esse Láb, dizemos que a harmonia visitou a região da subdominante menor: uma cor melancólica, suave, imediatamente reconhecível — pense nos finais de frase de tantas canções brasileiras em que o IV maior escurece para IV menor antes de voltar à tônica.

O nome vem do acorde mais típico da família, o IVm (Fm em Dó maior), mas a característica definidora é a presença da sexta menor do tom. Qualquer acorde que a contenha e caminhe para a tônica exerce essa função.

IVm7 resolvendo na tônica

IVm7
I7M

O Láb de Fm7 desce meio tom para o Sol de Cmaj7 — o movimento melódico que define a função.

IV maior escurecendo para IV menor

IV7M
IVm7
I7M

A passagem Lá → Láb → Sol dentro das vozes é um dos clichês mais amados do songbook brasileiro.

As formas da subdominante menor

Todos os acordes do campo harmônico de Dó menor que contêm o Láb podem ser emprestados para Dó maior com função de subdominante menor. As formas usuais são cinco: IVm7 (Fm7), IIm7(b5) (Dm7(b5)), bVI7M (Abmaj7), bVII7 (Bb7) e bII7M (Dbmaj7 — este vindo do modo frígio, mas com o mesmo Láb e o mesmo comportamento).

Cada uma tem um sabor próprio. O IVm7 é o mais direto; o bVI7M soa amplo e cinematográfico; o bVII7 tem um quê de blues e costuma anteceder a tônica com muita naturalidade (a chamada cadência de "backdoor"); o IIm7(b5) funciona como versão escurecida do II grau dentro de um II–V; o bII7M encerra frases com suavidade frígia.

Na análise, identifique primeiro o Láb (ou a b6 do tom em questão) dentro da cifra: se ele está lá e o acorde caminha para o I, você está diante de uma subdominante menor, seja qual for o formato.

bVI7M resolvendo na tônica

bVI7M
I7M

Abmaj7 contém Láb e Mib; a resolução em Cmaj7 soa ampla, quase cinematográfica.

IIm7(b5) dentro do II–V maior

IIm7(b5)
V7
I7M

Mesmo resolvendo em tom maior, o Láb do Dm7(b5) empresta à cadência a sombra do modo menor.

bVII7: a cadência de backdoor

bVII7
I7M

Bb7 chega à tônica "pela porta dos fundos", sem trítono apontando para Dó — a suavidade é a marca registrada.

Uso na prática

A subdominante menor costuma aparecer em dois lugares: no fim de frases, adiando ou colorindo a chegada à tônica, e em sequências descendentes em que várias formas da família se emendam (por exemplo, IV7M → IVm7 → I7M, ou bVI7M → bVII7 → I7M).

Ao tocar, procure conduzir a b6 do tom (o Láb, em Dó) para a quinta da tônica (Sol): esse meio tom descendente é o coração expressivo da função. Se sua condução de vozes preservar esse movimento, qualquer uma das cinco formas soará coesa.

bVI7M → bVII7 → I7M

bVI7M
bVII7
I7M

Duas subdominantes menores encadeadas, com o baixo subindo por tons inteiros até a tônica.

Como praticar

Rotinas de estudo no braço, no espírito das seções “Como praticar” do caderno de harmonia. O ideal é levar cada uma pelos doze tons, sem pressa.

  1. 1

    Toque o IV maior escurecendo para IV menor, conduzindo Lá → Láb → Sol dentro das vozes.

    IV7M
    IVm7
    I7M
  2. 2

    Toque as cinco formas da subdominante menor resolvendo no I (IVm7, bVI7M, bVII7, IIm7b5, bII7M) e escolha as que mais gosta.

    IVm7
    bVI7M
    bVII7
    IIm7(b5)
    bII7M
  3. 3

    Encadeie duas subdominantes menores subindo o baixo por tons inteiros até a tônica.

    bVI7M
    bVII7
    I7M

Fonte: Baseado na apostila «Harmonia» (HMP) de Pollaco, © do autor. Texto, exemplos e rotinas de prática reescritos para este caderno. Ver todas as fontes →