Capítulo 06 de 24
Campo harmônico menor
O modo menor trabalha com três escalas ao mesmo tempo, e seu campo harmônico é a soma dos acordes das três — um cardápio maior e mais dramático que o do modo maior.
Clique em qualquer cifra para ouvir o acorde.
Três escalas, um único campo
Diferente do modo maior, que tem uma escala só, o modo menor real das músicas é um organismo de três escalas: natural, harmônica e melódica. Na prática, o compositor não escolhe uma delas para a música inteira — ele pesca de cada uma o acorde que precisa, momento a momento. O campo harmônico menor é, portanto, a união dos três campos.
Da menor natural (em Am) vêm Am7, Bm7(b5), Cmaj7, Dm7, Em7, Fmaj7 e G7 — repare que são os mesmos acordes de C maior, girados. Da harmônica vêm as novidades decisivas: E7 (o V dominante), G#dim7 (o VII° com sensível) e o bIII com 5ª aumentada. Da melódica vêm Am6, Am(Maj7), Bm7, D7 (o IV dominante) e o F#m7(b5) do 6º grau.
O resultado é que quase todo grau do modo menor tem duas ou três versões possíveis. O V pode ser Em7 (suave, natural) ou E7 (conclusivo, harmônica); o IV pode ser Dm7 ou D7; a tônica pode ser Am7, Am6 ou Am(Maj7). Essa ambiguidade não é problema — é o charme do modo menor.
Tônica menor em três versões
Natural, melódica e harmônica/melódica dando cada uma sua cor ao I grau. O Am(Maj7) é o mais tenso; o Am6, o mais bossa.
Dois V para o mesmo Im
Primeiro o V natural (sem sensível, resolução frouxa), depois o V da harmônica (com trítono, resolução firme). Ouça a diferença de gravidade.
Os acordes exclusivos do modo menor
Alguns acordes só existem no campo menor e definem sua identidade. O Im(Maj7) e o Im6, tônicas com a 7ª maior ou a 6ª emprestadas da harmônica/melódica, são a assinatura das baladas menores sofisticadas. O IV7 (D7 em Am), dominante que não resolve no seu I, traz um perfume de blues e aparece muito na bossa. O bIIImaj7(#5) (Cmaj7 com 5ª aumentada, da harmônica) é raro mas inconfundível — no player, tocamos a versão com 5ª justa e a alteração fica por conta da imaginação.
O VII° (G#dim7 em Am) merece capítulo próprio na prática: ele é praticamente um E7(b9) sem fundamental e resolve direto na tônica menor. E o bVImaj7 (Fmaj7 em Am) forma com ele um dos clichês mais bonitos do repertório menor: bVI-VII°-Im, uma escadaria que sobe para a tônica.
Escadaria bVI - VII° - Im
O baixo sobe F-G#-A enquanto a tensão cresce e resolve. Clichê glorioso das canções em tom menor.
Campo menor em Cm
Um campo menor prático em Cm, já com o V7 e o VII° emprestados da harmônica — a combinação mais usada no repertório.
IV7 com sabor de blues
O IV dominante da melódica: tensão que não pede resolução clássica, só cor.
Como praticar
Rotinas de estudo no braço, no espírito das seções “Como praticar” do caderno de harmonia. O ideal é levar cada uma pelos doze tons, sem pressa.
- 1
Toque as três versões da tônica menor e escolha a que combina com a música do momento — a mais tensa (Maj7), a mais bossa (6) ou a natural (m7).
Im7Im6Im(7M) - 2
Toque a escadaria bVI-VII°-Im e depois procure-a em músicas em tom menor que você conhece.
bVI7MVII°Im - 3
Monte um campo menor prático em Cm com o V7 e o VII° emprestados da harmônica, e toque-o em sequência.
Im7IIm7(b5)bIII7MIVm7V7bVI7MVII°
Fonte: Baseado na apostila «Harmonia» (HMP) de Pollaco, © do autor. Texto, exemplos e rotinas de prática reescritos para este caderno. Ver todas as fontes →