Capítulo 05 de 24
Campo harmônico maior
Harmonizando cada grau da escala maior com as notas da própria escala, obtemos os sete acordes diatônicos — o vocabulário básico de qualquer tonalidade maior.
Clique em qualquer cifra para ouvir o acorde.
Os sete acordes diatônicos
Campo harmônico é o conjunto de acordes construídos empilhando terças da própria escala sobre cada um de seus graus. Na escala maior, o resultado em tétrades segue um padrão fixo de qualidades: Imaj7, IIm7, IIIm7, IVmaj7, V7, VIm7 e VIIm7(b5). Em C: Cmaj7, Dm7, Em7, Fmaj7, G7, Am7 e Bm7(b5).
Esse padrão é o mesmo em qualquer tonalidade — só as fundamentais mudam. Por isso a análise por graus (algarismos romanos) é tão poderosa: uma progressão aprendida como IIm7-V7-Imaj7 se transporta para os doze tons sem esforço. Note também que só existe um dominante (V7) e um meio-diminuto (VIIm7b5) no campo: encontrá-los numa música é a pista mais rápida para descobrir a tonalidade.
Em tríades, o padrão é I, IIm, IIIm, IV, V, VIm e VII°. Vale dominar as duas camadas: as tríades para enxergar a estrutura, as tétrades para tocar com a sonoridade da bossa e do jazz.
Campo harmônico de C maior (tétrades)
Os sete acordes diatônicos em sequência. Memorize o padrão de qualidades, não os acordes de C — ele vale para todos os tons.
Progressão diatônica clássica
O I-VI-II-V é o giro mais tocado da música popular — todos os acordes saem do campo de C.
Extensões disponíveis e notas a evitar
Cada grau aceita extensões diferentes, sempre tiradas da própria escala. A pergunta a fazer é: essa extensão forma 9ª menor com alguma nota do acorde? Se sim, ela é uma nota a evitar (as chamadas avoid notes ou void notes) — pode passar na melodia, mas sustentada dentro do acorde ela embaça a função.
No I e no IV maiores, a nota crítica é a 11ª natural: no Imaj7 de C, o F forma 9ª menor com a 3ª (E) e destrói a cor maior — por isso o I aceita 9 e 13, mas não 11 (o IV, cujo F# seria #11, aceita até ela). No IIm7 tudo funciona: 9, 11 e 13 disponíveis, o que faz do II o grau mais generoso. No IIIm7 e no VIIm7(b5), a 9ª natural forma 9ª menor com a fundamental (F contra Em7; C contra Bm7b5) e fica de fora — o III é o grau mais restrito, aceitando basicamente a 11.
No V7 a lógica inverte: como o papel dele é tensionar, até as extensões alteradas (b9, #9, b13) são bem-vindas em contextos que resolvem em acorde menor ou pedem dramaticidade. Diatonicamente, o V de C aceita 9 e 13; a 11 natural só entra se substituir a 3ª — e aí o acorde vira sus4.
II com todas as extensões
O II grau aceita 9, 11 e 13 sem conflito — por isso soa tão rico como preparação do V.
V7 em três estados
Suspenso, natural e alterado: três graus de tensão para a mesma função. O b9 pede resolução em acorde menor ou um clima mais dramático.
I com 9ª e com 6ª
Cores disponíveis para o repouso: 7M, 6 e 9. A 11 natural fica de fora — experimente cantá-la sobre o acorde e ouça o atrito com a 3ª.
Como praticar
Rotinas de estudo no braço, no espírito das seções “Como praticar” do caderno de harmonia. O ideal é levar cada uma pelos doze tons, sem pressa.
- 1
Toque os sete acordes diatônicos de C, depois de G e de F, com a tônica na 5ª, 6ª e 4ª cordas, na 1ª abertura.
I7MIIm7IIIm7IV7MV7VIm7VIIm7(b5) - 2
Para cada grau, ache a extensão que ele aceita e a nota que ele evita (a void note); toque o acorde com e sem ela e ouça o atrito.
- 3
Improvise sobre um vamp de Dm7 usando o modo dórico (as notas de C começando em Ré) — o II grau é o mais generoso em extensões.
IIm7V7
Fonte: Baseado na apostila «Harmonia» (HMP) de Pollaco, © do autor. Texto, exemplos e rotinas de prática reescritos para este caderno. Ver todas as fontes →