Formação de acordes (tétrades)
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Capítulo 03 de 24

Formação de acordes (tétrades)

Somando a 7ª à tríade chegamos às tétrades, a linguagem padrão da bossa e do jazz. Aqui entram também as extensões (9, 11, 13), as posições e as inversões com baixo cifrado.

Clique em qualquer cifra para ouvir o acorde.

Tríade + 7ª: as tétrades

Acrescentar mais uma terça sobre a tríade produz a tétrade — acorde de quatro notas com fundamental, 3ª, 5ª e 7ª. É essa 7ª que dá à harmonia brasileira e ao jazz seu sabor característico: um C puro soa concluído demais; um Cmaj7 respira.

As combinações mais usadas são: 7ª maior sobre tríade maior (Cmaj7), 7ª menor sobre tríade maior (C7, o dominante), 7ª menor sobre tríade menor (Cm7), 7ª menor sobre tríade diminuta (Cm7b5, o meio-diminuto) e 7ª diminuta sobre tríade diminuta (Cdim7). Há ainda a 6ª substituindo a 7ª — C6 e Cm6 — muito comum como acorde final em bossa, e o menor com 7ª maior, Cm(Maj7), vindo das escalas menores harmônica e melódica.

Pense na tétrade em duas camadas: a parte baixa (fundamental e 5ª) sustenta, e a parte alta (3ª e 7ª) define. Tanto que, tocando só 3ª e 7ª — as chamadas guide tones —, o ouvido já reconhece o acorde. No violão de acompanhamento isso é ouro: o polegar cuida do baixo e os dedos desenham 3ª e 7ª, deixando espaço para a melodia.

As tétrades essenciais sobre C

Cinco qualidades que cobrem quase todo o repertório: maior com 7M, dominante, menor com 7, meio-diminuto e diminuto. Ouça como a tensão cresce da esquerda para a direita.

Acordes com 6ª

A 6ª no lugar da 7ª dá um repouso mais doce — o C6 encerra incontáveis bossas, e o Cm6 é a cara do IV grau menor.

Extensões: 9ª, 11ª e 13ª

Continuando a pilha de terças acima da 7ª, chegamos às extensões: 9ª, 11ª e 13ª. Elas não mudam a função do acorde — um G13 continua sendo um dominante que resolve em C —, apenas enriquecem a cor. Por isso a análise em graus ignora extensões: IIm7, V7 e Imaj7 seguem sendo II, V e I com qualquer roupagem.

Nem toda extensão serve para todo acorde: a regra prática é evitar notas que formem 9ª menor com alguma nota do acorde (fora a que envolve a própria fundamental do dominante). É o caso da 11ª natural sobre acordes maiores, que tromba com a 3ª. Cada grau do campo harmônico tem seu cardápio de extensões — assunto detalhado no capítulo do campo harmônico maior.

Dominante com extensões

O mesmo V7 de C em três níveis de sofisticação. A função não muda; a cor sim.

Menor com 9ª

A 9ª (E) sobre o Dm7 é uma das cores mais usadas no II grau — compare a diferença de abertura.

Posições: fechada e aberturas

Um acorde não precisa ser tocado com as notas na ordem em que foi empilhado. A posição fechada é a mais compacta: as quatro notas dentro de uma oitava, terças coladas. Ela soa densa e, no violão, costuma ser difícil de pegar — sobretudo na região grave, onde as notas ficam espremidas demais.

Daí vêm as aberturas, que espalham o acorde subindo uma voz interna uma oitava. Na 1ª abertura, sobe a 3ª; na 2ª abertura, sobem a 3ª e a 5ª. O acorde ganha ar entre as vozes e fica mais fácil e mais claro de tocar — é exatamente a lógica dos voicings de quatro cordas do violão e da guitarra (o que o jazz chama de drop 2 e drop 3). Trocar de posição não muda o acorde nem a função: muda a densidade e a região.

Inversão é outra coisa: é qual nota está no baixo. Com a fundamental embaixo o acorde está no estado fundamental; com a 3ª no baixo, primeira inversão; com a 5ª, segunda; com a 7ª, terceira. Na cifra, a inversão aparece depois da barra: Cmaj7/E significa Cmaj7 com E no baixo. As inversões servem sobretudo para construir linhas de baixo que caminham por graus conjuntos — recurso constante nos acompanhamentos de João Gilberto em diante. Na ferramenta Inversões no braço você vê e toca cada acorde nas quatro inversões, já em abertura, com o baixo na 4ª, 5ª ou 6ª corda.

Inversões de Cmaj7

O mesmo acorde com fundamental, 3ª, 5ª e 7ª no baixo. Ouça como cada inversão muda o peso sem mudar a identidade.

Baixo descendo por inversões

I
V/3ª
VIm7
I/5ª
IVmaj7

A linha de baixo C-B-A-G-F desce por graus conjuntos graças às inversões — um clichê lindo do cancioneiro popular.

Como praticar

Rotinas de estudo no braço, no espírito das seções “Como praticar” do caderno de harmonia. O ideal é levar cada uma pelos doze tons, sem pressa.

  1. 1

    Digite cada tétrade essencial em posição fechada e depois nas 1ª e 2ª aberturas, com a tônica na 4ª e 5ª cordas.

  2. 2

    Toque apenas as guide tones (3ª + 7ª) de um II-V-I e perceba como o ouvido já reconhece cada acorde só com essas duas notas.

    IIm7
    V7
    I7M
  3. 3

    Monte uma linha de baixo que desce por graus conjuntos usando inversões: C, B, A, G, F no baixo.

    I
    V/3ª
    VIm7
    I/5ª
    IVmaj7

Fonte: Baseado na apostila «Harmonia» (HMP) de Pollaco, © do autor. Texto, exemplos e rotinas de prática reescritos para este caderno. Ver todas as fontes →