Substituto de trítono (subV7)
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Capítulo 11 de 24

Substituto de trítono (subV7)

O bII7 pode ocupar o lugar do V7 porque compartilha com ele o mesmo trítono — e ainda cria um baixo cromático elegante.

Clique em qualquer cifra para ouvir o acorde.

Dois dominantes, um só trítono

A alma funcional de um dominante é o trítono entre a terça e a sétima. Em G7, ele fica entre Si e Fá. Agora observe Db7: sua terça é Fá e sua sétima é Dób — a mesma nota que Si. Ou seja, G7 e Db7 contêm exatamente o mesmo trítono, apenas com os papéis trocados entre terça e sétima.

Como o trítono é simétrico (divide a oitava ao meio), essa relação vale para qualquer dominante: o substituto está sempre a um trítono de distância da fundamental original. Se os dois acordes carregam a mesma tensão essencial, os dois podem resolver no mesmo alvo — e é isso que chamamos de substituição de trítono, ou subV7.

bII7 no lugar do V7 e o baixo cromático

Trocando G7 por Db7 na cadência de Dó maior, o II–V–I vira Dm7 → Db7 → Cmaj7. O ganho imediato está no baixo: em vez de saltar em quintas, ele desce cromaticamente — Ré, Réb, Dó. Esse deslizamento de meio tom é uma das assinaturas sonoras da bossa nova e das baladas de jazz.

Na análise, cifra-se subV7 (ou bII7, relativo ao alvo). A regra de reconhecimento: um dominante que resolve meio tom abaixo é um subV7. Sobre ele, a tensão mais idiomática é a 9 natural e a #11 — evite pensar nas alterações típicas do V7 original, pois o subV7 costuma soar melhor com tensões naturais.

II–V–I com substituto de trítono

IIm7
subV7
I7M

Baixo cromático descendente: Ré → Réb → Dó. O trítono Fá–Dób (=Si) resolve exatamente como no G7.

Comparação: cadência original

IIm7
V7
I7M

Toque as duas versões em sequência e note que a resolução é igualmente convincente — muda apenas o trajeto do baixo.

SubV7 secundários

Todo dominante secundário também admite seu substituto de trítono. O V7/II de Dó maior é A7; seu substituto é Eb7, que resolve meio tom abaixo, em Dm7. Cifra-se subV7/II. O mesmo raciocínio gera subV7/III (F7 → Em7), subV7/V (Ab7 → G7) e assim por diante.

Encadeando substitutos, o compositor consegue longas descidas cromáticas de baixo — um efeito impossível com dominantes em quintas. Na leitura de partituras de bossa, sempre que o baixo descer meio tom entre dois acordes e o primeiro for um X7, desconfie: é quase certamente um subV7.

SubV7 secundário e primário em cadeia

I7M
subV7/II
IIm7
subV7
I7M

Eb7 substitui A7 (dominante do II) e Db7 substitui G7. Resultado: o baixo desce cromaticamente de Mib até Dó.

Descida cromática completa a partir do III

IIIm7
subV7/II
IIm7
subV7
I7M

Quatro compassos de baixo cromático: Mi, Mib, Ré, Réb, Dó. Sonoridade clássica de fim de seção em bossa.

Como praticar

Rotinas de estudo no braço, no espírito das seções “Como praticar” do caderno de harmonia. O ideal é levar cada uma pelos doze tons, sem pressa.

  1. 1

    Toque o II-V-I e depois troque o V7 pelo subV7; ouça o baixo descer cromaticamente (Ré, Réb, Dó).

    IIm7
    subV7
    I7M
  2. 2

    Encadeie subV7 secundário e primário para uma descida cromática do baixo de Mib até Dó.

    I7M
    subV7/II
    IIm7
    subV7
    I7M
  3. 3

    Numa partitura de bossa, ache um acorde X7 que resolve meio tom abaixo com o baixo cromático — quase certamente é um subV7.

Fonte: Baseado na apostila «Harmonia» (HMP) de Pollaco, © do autor. Texto, exemplos e rotinas de prática reescritos para este caderno. Ver todas as fontes →